QUEM BEBE MENOS? VOLKSWAGEN UP! TSI X HONDA CG TITAN 160

Qual sua preferência para rodar quase 90 km por ruas e estradas: gastar R$ 13 para ir de carro ou R$ 5,32 usando uma moto? Para ajudar na decisão, avaliamos o consumo dos novos Volkswagen up! TSI e da Honda CG Titan 160. Lançada em agosto, a versão apimentada do up! vem com motor 1.0 três cilindros turbo flex e injeção direta de combustível. Com preço inicial de R$ 44.790, trata-se de uma das melhores amostras de downsizing no Brasil, de motores pequenos que consomem pouco e rendem muito. Já a Honda surgiu com uma nova CG Titan – líder de mercado há quase 40 anos –, uma moto que, apesar do design levemente atualizado, traz outro propulsor flex, agora de 162,7 cm³.

Nos dois lançamentos, a engenharia se orgulha dos resultados. Roger Guilherme, do Powertrain da Volks, afirma que o motor do up! “foi um projeto que passou suave nos (severos) testes de fábrica”. Alfredo Guedes, da Honda, sinaliza que “o novo propulsor monocilíndrico oferece menor consumo e maior torque".

CG e up! são compactos e gastam muito pouco combustível. Para comprovar isso, medimos o consumo das versões top de linha em um circuito com trechos de cidade e estrada. Enquanto o speed up! custa R$ 49.990 e rende 105 cv com etanol, a CG 160 Titan sai por R$ 9.290 e desenvolve 15,1 cv com o mesmo combustível.

Como gastar pouco com combustível
Além de pneus calibrados e manutenção em dia, deve-se evitar acelerações desnecessárias, como “esticar o motor” diante de um semáforo prestes a fechar. Com o trânsito fluindo, mantenha aceleração constante e linear. Use a primeira marcha só para começar a movimentar o veículo e utilize ao máximo as marchas mais altas, que fazem o motor girar menos para a mesma velocidade. Quanto menor a rotação, melhor será o consumo. Para a moto valem as mesmas dicas. E, claro, usar combustível de qualidade irá ajudar tanto o consumo quanto o desempenho do veículo.

O teste ocorreu num sábado de trânsito tranquilo, só com álcool nos tanques – ao custo de R$ 2,49 o litro. A pilotagem foi de uso econômico, com preferência para as marchas mais altas, motores em rotação mais baixa, além de acelerações suaves e lineares, sempre que o trânsito permitia. No up!, não usamos o ar-condicionado.

O trajeto partiu da zona sul de São Paulo até o aeroporto de Guarulhos, voltando ao mesmo local e totalizando 89,5 km. Detalhe importante: a moto acompanhou o carro durante todo o percurso, não aproveitando os corredores entre os carros nas ruas, e os condutores tinham peso similar, em torno de 75 kg. Com os tanques cheios, saímos pela avenida Indianópolis, seguindo para a avenida Juscelino Kubitschek, marginais Pinheiros e depois Tietê. O trecho urbano teve cerca de 18 km, sempre respeitando os limites de velocidade das vias e das marginais, de parcos 70 km/h nas pistas expressas. Pode ser monótono, mas favorece a economia, principalmente com o tráfego fluindo bem. Da Marginal Tietê, pegamos a rodovia Presidente Dutra até o acesso para o aeroporto.

No Volks, usando marchas mais altas, o motor 1.0 flex trabalhava entre 1.500 e 2000 rpm. Manter baixa rotação no up! é simples. Graças ao turbo de baixa inércia, o tricilíndrico fornece 16,8 kgfm de torque a apenas 1.500 rpm. Já na CG se trocava as marchas com o motor em torno de 3.500 rpm – seu torque máximo é de 1,54 kgfm a 6.000 rpm –, com rotação por volta de 4.000 a 4.500 rpm.

Quem bebe menos? Volkswagen up! TSI x Honda CG Titan 160 (Foto: Mario Villaescusa / Autoesporte)

CG e up! usam transmissões longas, o que ajuda o motor a girar pouco e ser econômico. Em nenhum momento os veículos atrapalharam o trânsito. Na pista lateral da Dutra, a velocidade ficou em 90 km/h, com o up! em quinta marcha e o motor girando a pouco mais de 2.000 rpm. Na Honda, a rotação ficou em torno de 6.300 rpm na quinta e última marcha.

Saindo da Dutra pela rodovia Hélio Smidt, com tráfego fluindo bem, a velocidade foi de 80 km/h até o retorno no novo terminal internacional do aeroporto. A volta foi pela Dutra, Marginal Tietê e avenidas Tiradentes e 23 de Maio, para finalizar o trajeto no mesmo posto, onde os veículos foram abastecidos para aferir o consumo.

Com 1h54 de duração, o teste revelou velocidade média de 47 km/h. O trajeto teve 17,5 km de ruas e avenidas, 34 km nas marginais e 38 km de rodovias, totalizando os 89,5 km.  Os consumos surpreenderam: a moto consumiu 2,14 litros de etanol e o up!, 5,24 litros. Ou seja, o VW turbinado percorreu 17,1 km/l, ao custo de R$ 13,04; contra média de 41,8 km/l da CG (ao valor de R$ 5,32). O carro gastou quase 2,5 vezes mais combustível que a moto, uma média excelente diante do peso oito vezes maior.

O speed up!, também mais pesado que outras versões, chega aos mil quilos. Mesmo assim, o novo motor turbo garantiu ótimo consumo. Seus injetores de alta pressão disparam o combustível diversas vezes durante cada explosão do motor, pulverizando a menor quantidade possível para a queima correta. No fim, os dois comprovaram notável economia, com credenciais suficientes para serem chamados de veículos ecologicamente corretos.

O segredo da economia
Acompanhado de transmissão com terceiro ponto de fixação junto ao motor turbo, além de freios e suspensões redimensionados, o pacote TSI custa R$ 3.500 a mais para as versões de topo do up! A eficiente mecânica deu a ele o status de carro mais econômico do Brasil nas medições do Inmetro. Já a CG usa mecânica totalmente nova, herdada que debutou na Bros, de uso misto, no início do ano. Em relação ao antigo motor, a cilindrada e a taxa de compressão aumentaram (9,5:1) e o software da injeção eletrônica foi aprimorado, com o injetor de combustível mais próximo de sua entrada no motor. Isso favorece uma pulverização mais eficiente da mistura e a economia de combustível.


Fonte: http://revistaautoesporte.globo.com/Analises/noticia/2016/02/quem-bebe-menos-volkswagen-tsi-x-honda-cg-titan-160.html